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Mai
Marketplace da Microsoft ainda mais restritivo que a App Store da Apple
por Pedro Ivo Faria
Nos últimos meses a App Store da Apple tem sido objecto de notícia pelos motivos menos agradáveis. Uma política incoerente e muito restritiva, atrasos nos pagamentos aos programadores (alguns dos quais têm centenas de milhares de euros a haver há mais de seis meses) e o faz e desfaz injustificável têm contribuído para a má fama que por vezes a loja online da Apple tem.

Mesmo assim, o enorme sucesso da App Store da Apple, actualmente encarada como ‘o filão de ouro das comunicações móveis’, está a ser imitada pelas restantes empresas responsáveis pelas plataformas moveis concorrente. Uma delas é o Marketplace for Windows Mobile da Microsoft.

Desde que foi oficialmente anunciado, a Microsoft tem feito de tudo para condenar esta iniciativa ao fracasso demonstrando que não entende o mercado onde pretende actuar e que continua a adoptar uma estratégia idêntica à dos desktops onde os clientes empresariais têm um peso significativo.
Depois de ter colocado uma tarifa de $99 para acesso ao Marketplace, que apenas dão a possibilidade de se publicarem 5 aplicações por ano, de continuar a dispor de ferramentas de desenvolvimento gratuitas (o Visual Studio 2008 Professional custa mais de 1000 euros), chegou a ‘machadada final’: a lista de aplicações ou tecnologias que não serão aceites na sua loja online.



Para começar o registo no Marketplace exige um número de identificação fiscal válido o que irá impedir que muitos programadores que ainda não entraram no mercado de trabalho (estudantes, por exemplo) não possam publicar aplicações.
Mas o regulmento para publicação de aplicações vai ainda mais longe:
  • Não é permitida a publicação de plug-ins para o ecrã Hoje !
  • As aplicação não podem forçar chamadas de voz, o que elimina de imediato os Dialers e os Photo dialers,
  • As aplicações não podem alterar as definições do sistema como cores, wallpapers, etc (o que elimina as que manipulam o Registry),
  • No terminais com ecrã táctil o nome da aplicação tem que ser apresentado na barra de título (adeus aplicações fullscreen),
  • As aplicações de Voice-over-IP (VoIP) não podem usar a estrutura 3G,
  • As aplicações não podem alterar a definição implícita do Internet Browser, Media Player, Motor de busca, Dialer, Envio e recepção de SMSs e MMS.
    Aplicações como o Opera, o Skyfire ou o Kinome Player não podem permitir ao utilizador que os indique como aplicação default, e como o próprio sistema operativo não oferece esse tipo de funcionalidade, as aplicações da Microsoft passarão a ser as implícitas,
  • A aplicações não podem conter conteúdos publicitários (esse é um feudo da Microsoft).


A Microsoft não percebeu as implicações que o lançamento do iPhone, que a condenou a perder a sua confortável segunda posição no mercado, e volta a repetir a dose ao criar entraves a quem pretende contribuir para o sucesso da plataforma.
Por exemplo, de uma forma grosseira pode-se admitir que metade das aplicações da SPB SoftwareHouse não respeitam os requisitos do Marketplace e que a maioria das aplicações publicadas no fórum XDA Developers também se encontram excluídas.
Se há algo que a App Store da Apple deixou bem claro é que os grandes sucessos de venda, e que ajudam a promover a plataforma, foram criados por programadores independentes e que não dispõem de qualquer estrutura de apoio. A Microsoft despreza-os e prefere continuar a apostar nos mesmos segmentos que até hoje não conseguiram alavancar o Windows Mobile.

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