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Jul
A história não contada do fim do Microsoft Kin
por pedro Ivo Faria
A decisão da Microsoft descontinuar a linha Kin apanhou quase toda a gente de surpresa. É certo que o volume de vendas era muito inferior ao esperado, que os terminais não tinham caído nas boas graças dos reviewers e que eram demasiado esquisitos para a maioria dos potenciais clientes, mas não houve da parte da Microsoft qualquer tentativa de emendar alguns erros cometidos nas seis semanas que os terminais estiveram à venda.
Os Microsoft Kin começaram por ser apresentados como modelos dirigidos para adolescentes mas o tarifário que lhes foi aplicado, de forma a compensar pelo baixo preço de venda, colocam-nos ao nível dos smartphones profissionais, ou seja, fora do alcance do seu público alvo.

Mas os problemas são muito mais profundos, não lhe faltando uma intriga palaciana com um génio visionário e um vilão à maneira antiga.
O desenvolvimento do projecto Pink, do qual iriam surgir os dois Kin, começou a ser desenvolvido em 2008 sob a supervisão de J. Allard (o visionário). A aquisição da Danger não se concretizou porque a Microsoft precisava de uma solução paralela ao Windows Mobile para dar corpo a uma nova linha de terminais, mas antes porque o projecto iniciado por Allard necessita dos serviços criados localizados na Internet da Danger. Uma vez concretizada a aquisição, e já na posse da tecnologia necessária para finalizar o projecto Pink, a Danger foi praticamente desmembrada e abandonada.

Com todos os recursos que necessitava na mão, a equipa que estava a desenvolver o projecto iPnk acabou por se separar da que era responsável pelo Windows Phone, na altura dirigida por Andy Lees (o vilão). Nessa altura a Microsoft ainda não tinha decidido (re)começar a concepção do Windows Phone 7 a partir do zero e continuava a insistir em formas de tornar o Windows Mobile mais user-friendly.
Mesmo não querendo interferir com o desenvolvimento do Windows Mobile, Allard preferiu abandonar a velha plataforma da Danger baseada em Java e integrar vários serviços no projecto que estava a orientar, com especial enfoque no Zune que tinha sido também um projecto seu.

Era uma questão de tempo até os interesses das duas equipas colidirem e, quando foi tomada a decisão de abandonar a base do Windows Mobile e criar algo completamente novo, a oportunidade para Lees surgiu. O projecto Pink deixou de encaixar nos planos da Microsoft e foi virtualmente condenado.
O resto da história é simples de imaginar, com os recursos a serem retirados ao projecto, as sugestões da equipa de desenvolvimento a serem ignoradas (não foi criada uma App Store, o tarifário era demasiado alto, etc) até que a saída de Allard da Microsoft colocou um ponto final em todo o projecto.

Pode ser difícil afirmar que o Microsoft Kin é um projecto bem nascido e concebido, mas a maior parte das pessoas envolvidas já o sabia muito antes de este chegar ao mercado e acabaram por ser vitimas de interesses internos e da necessidade da Microsoft ‘acertar’ desta vez com o Windows Phone 7.
Pelo caminho fica também a Danger, uma empresa que foi responsável pela introdução das redes sociais cinco anos antes de elas surgirem e que teve a ousadia de pensar que um dia os adolescentes e o publico em geral iria usar o telemóvel como principal meio de comunicação.

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