27
Jan
Nokia continua a crescer abaixo do ritmo do mercado
por Pedro Ivo Faria Nokia , Symbian^3 , Nokia N8 , Stephen Elop , OPK
A Nokia, o líder global entre os fabricantes de telemóveis, publicou os resultados do último trimestre de 2010 que se saldaram numa perda efectiva de lucros face ao mesmo período do ano anterior e um ganho no volume de vendas ainda que tenha ficado, percentualmente, abaixo do ritmo de crescimento do mercado.
A quebra de 26% nos lucros e a perda de mais 3% de quota de mercado (essencialmente para o Android e o iPhone) ficou dentro das expectativas da empresa que conta ter ainda mais um trimestre negativo antes de iniciar a sua recuperação.

Os 745 milhões de euros de lucro da empresa ficaram bem abaixo dos 948 milhões registados no ano anterior mas bem acima dos 526 milhões avançados por uma boa parte dos analistas em meados do ano transacto. Na base desta quebra mais moderada do que o previsto está o bom desempenho da gama Symbian^3, que começa a ganhar o seu espaço no mercado. Ainda assim, o bom desempenho do Nokia N8 não foi suficiente para travar a tendência de descida na quota de mercado que agora se situa pouco acima dos 31%, o que representa uma perda de 9% durante 2010.

Apesar das várias causas apontadas para este decréscimo, que dá origem a rumores recorrentes de que a Nokia vai adoptar o Android ou o Windows Phone 7, o problema não está nos terminais ou plataforma adoptadas pela marca finlandesa, caso contrário não teria registado um crescimento de 2% do primeiro para o segundo trimestre de 2010. A necessidade de compensar as operadoras móveis pelos atrasos no lançamento do Nokia N8, o que aconteceu por duas vezes, forçou a Nokia a encontrar uma alternativa que mantivesse os seus parceiros interessados no seu portofólio até ao novo smartphone estar pronto para ser vendido. A solução, adoptada pelo anterior CEO da Nokia, foi oferecer grandes descontos na compra da gama ‘normal’, com uma margem de lucro quase nula, o que impediu que a marca não registasse de imediato uma queda significativa da quota de mercado.

Quando Stephen Elop topou conta do leme da Nokia e acabou com estas práticas, a Nokia deixou de ser tão interessante para as operadoras móveis e regista uma queda acentuada de vendas e quota. Esta mesma atitude condenou os esforços que o anterior CEO tinha feito para conquistar mercado nos EUA através de uma forte subsidiação dos terminais. Resultado: vários modelos que estavam previstos entrarem para o catálogo de certas operadoras americanas foram liminarmente cancelados.
Apesar da descida de lucros e da quota de mercado, a Nokia mantém uma boa margem nos preços médios dos terminais (mesmo que seja inferior à da Apple), algo que agrada aos accionistas e administração da marca mas que está a custar uma percentagem significativa da sua quota de mercado.

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