16
Fev
MCW11: reacções à parceria Microsoft – Nokia
por Pedro Ivo Faria HTC , Samsung , LG , Motorola , Intel , HP , Nokia , Citi , ASUS
A queda de mais de 25% no valor das acções da Nokia como consequência do anúncio do abandono do Symbian e MeeGo em benefício do Windows Phone 7 já dava a entender que o mercado não reagiu positivamente a esta parceria.
As crítica, internas e externa, têm-se feito sentir e existe um mal estar que abrange todos os parceiros da Nokia, enquanto que a concorrência não se escusa em desvalorizar essa parceria.


HTC


A empresa chinesa é uma das parceiras de mais longa data da Microsoft e representou um papel chave na evolução do Windows Mobile. A impossibilidade de personalizar os terminais a seu gosto, em especial através da inclusão da Interface alternativa SenseUI, está a levar a HTC a apostar no Android e no BrewMP como plataformas estratégicas da sua presença no mercado.
Para Peter Chou, o CEO da HTC, a situação é bem clara. “Eles estão a fazer o que era necessário ser feito. Estamos muito empenhados no Windows Mobile e continuamos a ser um dos parceiros mais fortes da Microsoft para o Windows Phone 7. Mantemos uma atitude positiva relativamente a esta situação já que achamos que a HTC poderá beneficiar da decisão de um grande fabricante se juntar à plataforma e ajudar a reforçar todo o ecossistema Microsoft”.


Samsung


Omar Khan, CSO da Samsung, reforçou o compromisso da empresa coreana com as plataformas móveis da Microsoft. “Continuamos a prever uma expansão do nosso portofólio Windows Phone. Qualquer iniciativa que reforce o ecossistema Windows Phone acaba por ser bom para nós”.
O facto do Omnia 7 ser o terminal Windows Phone 7 que maior volume de vendas atingiu coloca a marca coreana na vanguarda da plataforma móvel da Microsoft e garante que a Samsung tem uma imagem exacta do que a Nokia poderá fazer assim que colocar os seus terminais no mercado. Incapaz de combater a empresa finlandesa no passado com armas iguais (Symbian), a aposta da Samsung passa sobretudo pelo Android e BadaOS, ficando o Windows Phone 7 como uma terceira via à espera de reconhecimento e aceitação do mercado.


LG


A LG, tal como a HTC, foi uma das marcas que lançou até ao momento mais do que um dispositivo baseado no Windows Phone 7. Ainda que o CEO da empresa se tenha limitado a emitir um lacónico ‘vamos lá a ver o que eles conseguem fazer’, referindo-se claramente à Nokia, a empresa coreana não tinha qualquer modelo Windows Phone 7 exposto durante o Mobile World Congress.
A gama Android ganha cada vez mais importância na estratégia da empresa que espera atingir, este ano, vendas na ordem dos 150 milhões de unidades (incluindo telemóveis de gama baixa).


ASUS


Um dos fabricantes que aderiu de imediato ao Windows Phone 7 foi a ASUS mas na altura em que este foi oficialmente lançado, a marca asiática não colocou qualquer dispositivo à venda.
Foram fabricados cerca de 5000 ASUS com Windows Phone 7, mas esses foram direitinhos para os programadores enquanto developer device já que a ASUS, na altura ainda associada à Garmin, não encontrou a receptividade por parte das operadoras que motivasse o alargamento da produção.
A experiência adquirida a solo e mais tarde em parceria com a Garmin fizeram a empresa compreender que não basta ter equipamentos capazes, competentes e atractivos para vingarem no mercado. O lançamento de terminais Windows Phone 7 só irá acontecer ‘caso haja um forte interesse das operadoras móveis’.


Motorola


Em tempos a Motorola foi um das apostas da Microsoft para a promoção do Windows Mobile. As vendas dos modelos baseados naquela plataforma ficaram muito aquém do que a marca americana necessitava para recuperar financeiramente e a solução foi adoptar o Android. A plataforma da Google mostrou-se ser a escolha acertada, como aconteceu com outros fabricantes, permitindo à Motorola recuperar
Christy Wyatt é peremptória em afirmar ‘Não consigo vermos a usar uma plataforma da Microsoft. Gostaríamos de ter a oportunidade de criar soluções e valor únicos, mas isso não é possível numa plataforma tão fechada’.


Verizon


A Verizon tem sido um dos motores das telecomunicações norte-americanas e a principal responsável pelo sucesso dos Motorolas baseados no Android. As várias linhas Droid permitiram à operadora crescer de uma forma sustentada, não dependendo apenas de um modelo como aconteceu com a AT&T ou a Sprint, e a recém integração do iPhone 4 na sua oferta apenas veio consolidar a sua posição.
Duvido que a Microsoft venha a alcançar a tracção que deseja com o Windows Phone 7” – confidenciava Tony Melone, o CTO da Verizon. “Neste momento as três plataformas usadas na nossa rede são o Android, Apple iOS e RIM Blackberry. Para adoptarmos outra plataforma seria necessário que eles aparecessem com um produto muito, muito bom”.


Google


Quem não ficou muito agradado com a ligação da Nokia à Microsoft foi Eric Schmidt da Google que tinha estado envolvido em negociações com a marca finlandesa, com o objectivo de a convencer que o Android era a melhor solução.
O CEO da Nokia já teve oportunidade de esclarecer quais os motivos que levaram a sua empresa a escolher o Windows Phone 7 em detrimento do Android, mas não evitou criar uma situação de desconforto para a Google.

O (ainda) CEO da empresa classifica a opção da Nokia como ‘um erro estratégico’ mas não fecha a porta a um retrocesso e retomar das negociações. “Gostávamos de a Nokia viesse a adoptar o Android no futuro, hipótese essa que se mantém, de certa forma, ainda em aberto’.


Intel


O ex-grande-parceiro da Nokia, anunciado há um ano com toda a pompa e circunstância, não deixou de demonstrar a sua desilusão pela forma como todo o processo decorreu. Para o CEO da Intel, Paul Otellini, na impossibilidade da Nokia manter a aposta no MeeGo, a solução mais óbvia seria a escolha do Android.
As semelhanças entre as duas plataformas, que têm na sua base o Linux, permitiria aproveitar grande parte do trabalho já executado e manteria o MeeGo como uma hipótese de futuro caso a Nokia quisesse diversificar a sua gama de soluções.


HP


O actual director de UX da HP é alguém que conhece muito bem o processo de desenvolvimento do MeeGo em plataformas Nokia uma vez que foi o responsável pela sua supervisão antes de assumir uma papel similar no WebOS criado pela Palm.
Ari Jaaksi prefere evidenciar as vantagens do WebOS face à concorrência e avisar que ainda é muito cedo para se retirar a HP da corrida pela liderança das plataformas móveis, mas a adopção do Windows Phone 7 é o ‘atirar da toalha’ pela companhia finlandesa e o assumir que, sozinha, nunca será capaz de manter a liderança que criou ao longo dos anos.
Entristece-me verificar que eles não acreditam que podem continuar a fazer uma diferença no mercado. Desistiram do mercado e da sua paixão, por isso esta nova etapa não tem hipóteses de resultar’.


Citi


A empresa de análise de mercado Citi foi uma das mais activas durante o Mobile World Congress tentando determinar que impacto a parceria entre a Nokia e a Microsoft iria produzir. A conclusão é surpreendente e aponta numa direcção inesperada: a parceria favorece a RIM.
Para Jim Suva, nos contactos tidos com vários representantes de operadoras móveis, ‘irá existir um investimento no iOS, Android e Blackberry pelo menos até à estratégia da Nokia estar mais clara e definida’. Não é caminho que a empresa finlandesa pretende trilhar que está em causa 8esse é bem claro), mas antes o roadmap e os timings que a Nokia tem definidos para fazer a transição da sua actual gama para a futura baseada no Windows Phone 7.


Nokia


Nos últimos dias ficou claro que a Nokia irá ser um parceiro privilegiado da Microsoft e que terá autorização para alterar todos os aspectos do Windows Phone 7. ‘Dificilmente faremos uso do grau de liberdade que nos foi atribuído, com o Windows Phone 7 manter o seu aspecto tradicional nos terminais Nokia”- referia Stephen Elop.


Comunidade de programadores


Quem mais irá perder com esta parceria são os milhares de programadores que foram responsáveis pela criação de aplicações para as plataformas Symbian nos últimos anos. O desenvolvimento para Windows Phone 7 obriga à utilização das ferramentas da Microsoft – Visual Studio, Silverlight, XNA ou .NET – o que é um enorme passo na direcção contrária à que estava a ser percorrida até agora.
A estratégia da Nokia, que até agora passava pelo Qt como ferramenta de unificação de aplicações para Symbian e MeeGo (e Android e WebOS, embora não oficialmente) será colocada de lado e todo o valor criado em cima dessa plataforma será desperdiçado.
Ao obrigar a comunidade que sustentou o Symbian durante anos a começar tudo de novo, a Nokia está na prática a força-los a escolher novas ferramentas e paradigmas de desenvolvimento, e o Java Dalvik do Android e o ObjectiveC do iOS são, neste momento, soluções tão ou mais válidas que o binómio Silverlight / Windows Phone 7.

Os projectos de migração do Qt, que é uma solução open-source, para Android e WebOS ganharam um novo fôlego já que representam o acesso a duas plataformas móveis em franco crescimento e a possibilidade de se aproveitar todo o trabalho que foi desenvolvido ao longo dos anos.

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